Por que a cadeia do frio é indispensável na conservação do sangue? - Sensorweb

Solução Prática para o Monitoramento de Temperatura

Por que a cadeia do frio é indispensável na conservação do sangue?

Por que a cadeia do frio é indispensável na conservação do sangue?

Por Diego Ferreira em 18/11/2015.

A conservação do sangue num sistema refrigerado é de indispensável importância para a manutenção da qualidade dos hemocomponentes e de seus derivados, tanto no caso de doações para transfusão como no caso de amostras para exame. Um aspecto dessa conservação, porém, pode acabar sendo negligenciado: o “caminho” que o sangue faz. É por isso que vamos falar neste post sobre a “rede de frio”, também conhecida como “cadeia de frio”, que se relaciona com os cuidados com a temperatura ideal desde a coleta do sangue até o seu uso, incluindo etapas como armazenamento, transporte e administração.

Cuidados com a deterioração

Uma amostra de sangue mal conservada pode se deteriorar por uma infinidade de motivos, desde o aparecimento de bactérias indesejáveis e outras contaminações até a hemólise das hemácias ou a coagulação. Segundo a Portaria nº 1.353 de 2011 expedida pelo Ministério da Saúde, que regula os procedimentos técnicos da hemoterapia, a temperatura recomendada para o armazenamento do sangue total, das células vermelhas, do concentrado de hemácias ou do concentrado de hemácias lavadas deve se estabilizar entre 2ºC a 6ºC. Níveis abaixo de 2ºC podem comprometer a estrutura das células e níveis acima de 6ºC aumentam o risco do aparecimento de contaminações.

Já o plasma fresco congelado precisa de temperaturas bem mais baixas. De -20ºC a -30ºC consegue-se conservar o derivado por até um ano. Temperaturas abaixo de -30ºC a -40º prolongam esse prazo para até dois anos. As mesmas temperaturas valem também para o criopreciptado.

Nós já abordamos essas características em outros artigos nossos que fala do plasma, das plaquetas e do crioprecipitado. Mas voltando, existem refrigeradores com sistemas de monitoramento e até alarmes para melhor gerenciar a temperatura de armazenamento do sangue recolhido e seus derivados, como é o caso das câmaras frias da FANEM, por exemplo. Uma vez que o sangue, o concentrado de hemácias, o plasma congelado ou o criopreciptado precisem ser utilizados, um transporte confiável é necessário para mantermos o cuidado com a rede de frio para a conservação desses insumos.
CADEIA DO FRIO É INDISPENSÁVEL NA CONSERVAÇÃO DO SANGUE

Cuidados com o transporte

O método indicado para o transporte de material orgânico e que respeita a manutenção da cadeia do frio é o uso de caixas térmicas. Uma estrutura de padrão satisfatório vai conservar o sangue e seus derivados numa temperatura que varia de 1ºC a 10ºC. Isso significa que o transporte do sangue total, das células vermelhas e do concentrado de hemácias pode ser realizado normalmente, tendo cuidado apenas em fazê-lo de maneira ágil. Para o plasma congelado e o criopreciptado, pode-se usar a mesma caixa, mas é recomendado, então o uso do gelo seco, para garantir uma temperatura ainda mais baixa e uma conservação mais confiável dos insumos.

Importante: a caixa térmica de maneira alguma deve ser usada como método de armazenamento dos componentes, apenas para o transporte deles, porque isso é feito de maneira temporária e, geralmente (e de preferência), logo antes do insumo ser utilizado. Armazenar material orgânico em caixas térmicas tira a previsibilidade de sua duração, já que as temperaturas diferem de um refrigerador propriamente dito.

Para mais informações sobre a conservação correta do sangue confira nossos outros conteúdos e indicações de materiais relacionados abaixo!


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